| Moradores de Vila Nova Jaguaré confirmam melhor acesso a serviços apesar de queda na renda
Equipe da diverCIDADE visita favela e registra depoimentos em vídeo.
texto Mariana Desidério e Gustavo Paiva
vídeos César
A reportagem de DiverCidade foi à Vila Nova Jaguaré, bairro da Zona Oeste de São Paulo, conversar com os moradores para saber se eles sentiram melhoras nas condições de vida nos últimos dez anos. Os moradores, entrevistados na fila do programa Leve Leite, na CEI (Centro de Educação Infantil) do bairro - na maioria mães das crianças que freqüentam a escola - reconhecem uma melhoria nos acesso a serviços bem como bens de consumo, apesar de uma piora na renda.
O começo da Av. Dracena, onde fica o CEI, é típico de uma rua de bairro industrial, com algumas casas nos intervalos entre as grandes propriedades. Após alguns minutos de caminhada, as paredes pintadas tornam-se tijolos a mostra, e a regularidade das casas dá lugar a um amontoado de barracos que têm buracos no lugar das janelas e varais entupidos de roupa secando dentro dos quartos. A sensação de deslocamento para quem não é dali e aparece de tênis All Star, óculos de aro grosso e uma câmera fotográfica discretamente colocada no fundo da bolsa aumenta de uma hora para outra. Os moradores, por outro lado, pareciam um pouco intimidados pela presença da equipe. Com exceção das funcionárias do CEI, geralmente falavam pouco.
Para a maioria dos entrevistados, as mudanças com a reurbanização do centro de bairro, o acesso a serviços de saúde e educação e a programas como o Leve Leite e o Bolsa Família foram perceptíveis. Ao mesmo, tempo afirmam ter adquirido bens como TV, geladeira, fogão e máquina de lavar roupa, resultado de queda nos preços e aumento do crédito. Essas observações confirmam as conclusões de pesquisas do Centro de Estudos da Metrópole.
Veja depoimentos sobre as melhoras do bairro.
Os moradores da Vila Nova Jaguaré reconhecem a importância
dessas transformações no bairro. Contudo, para
muitos dos entrevistados, essas mudanças no perfil
da pobreza não são suficientes para se traduzirem
em melhora efetiva de qualidade de vida. Isso por que a qualidade
desses serviços nem sempre é satisfatória.
Para Aurélia, a educação piorou. Ela
também reclama da falta de continuidade de programas
assistenciais que dependem de cada governo.
Dalva reconhece uma melhora nos serviços do bairro.
Era mais difícil conseguir consulta, afirma. Entretanto,
ela diz que a urbanização do bairro não
agradou a todos, principalmente pelo custo e duração
das prestações das novas moradias. Angelina
também alerta para a insuficiência dessas mudanças.
Ela diz que é impossível uma família
viver com 400 reais e reclama das condições
de atendimento do AMA.
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