Caros Leitores,
O bairro é geralmente aquele território com o qual nós nos identificamos desde pequenos, uma região restrita, mas repleta de relações familiares e de amizade, com histórias e tradições próprias. Nessa edição, levantamos uma discussão específica para a cidade de São Paulo: os bairros aqui devem permanecer como entidades afetivas e abstratas, ou devem ser reconhecidos pela prefeitura como território oficial da administração pública?
Essa pergunta surgiu por dois motivos: primeiro, o artigo 43 da Lei n.13.885 do Plano Diretor Estratégico, que determina a delimitação oficial dos bairros da cidade – e cujo prazo de cumprimento venceu no início do ano; e a dissertação de mestrado de José Donizete Cazollato, geógrafo do Centro de Estudos da Metrópole que desenvolveu uma metodologia para fazer essa divisão, levando em conta não só aspectos como o tamanho do território e da população, mas a história do local e as percepções da comunidade.
Inspirados por esse tema, voltamo-nos ainda para outros aspectos do bairro, como o desenvolvimento histórico, tomando como exemplo dois casos distintos: o tradicional bairro da Luz, e o recém fundado Conjunto Turística, bairro que nasceu de um movimento dos sem terra. Outro aspecto desenvolvido nas reportagens foi a participação da comunidade, nos jornais e nas associações de bairro.
Nas demais seções trazemos ainda a opinião de diversos especialistas sobre diferentes aspectos da questão, como os urbanistas Candido Malta, Nabil Bonduki, Raquel Rolnik e Sandra Leão Barros, além de uma entrevista com Eduardo Feniciano, o “urbenauta” que realiza expedições nas grandes cidades.
Com isso, esperamos ter montado um quadro não de todos os bairros de São Paulo – o que seria impossível – mas de questões pertinentes ao território e à relação que os cidadãos estabelecem com ele.
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Boa leitura, Rosana de Lima Soares |