A pesquisa sobre práticas culturais e uso do tempo livre
(PPC) na região metropolitana de São Paulo, que
está sendo realizada pela área de Cultura do Cem-Cebrap,
tem como um de seus objetivos fazer um panorama das diversas formas
de utilização do tempo livre da população
da região metropolitana, com atenção aos
seus hábitos culturais.
A primeira fase da pesquisa utilizou como instrumento a pesquisa
por sondagem (survey), na qual o Ibope, instituto contratado para
a realização do campo, entrevistou cerca de 2 mil
habitantes da RMSP, amostra que garante representatividade estatística.
O universo da pesquisa foi a população total da
RMSP com mais de 15 anos, sendo a amostra selecionada através
de extração probabilística em três
estágios: setor censitário, domicílio particular
e sorteio do residente. Foram realizadas treze entrevistas em
cada um dos 154 setores censitários selecionados.
A primeira fase, cujos dados ainda estão sendo analisados
e, portanto, são preliminares, mapeou a disseminação
de práticas culturais socialmente legitimadas, tais como
a freqüência a museus e teatros, e outras tipicamente
de massa, como assistir televisão.
Além disso, a pesquisa interrogou os entrevistados a respeito
de outros hábitos de lazer, como esportes, jogos, ida a
shoppings etc., buscando compor um panorama do uso do tempo livre.
Assim, embora privilegiasse a busca de dados a respeito de certas
práticas, a pesquisa buscou não legitimá-las
a priori, posto que importa entender como se organiza o uso do
tempo livre.
Os resultados preliminares confirmam muitas das hipóteses
iniciais, estando, entre elas, as baixas porcentagens registradas
para determinadas práticas, por um lado, e a disseminação
incontestável de outras. Como exemplo pode ser apontada
a porcentagem de entrevistados que afirmaram ter o costume de
assistir televisão (93,5%) em contraposição
à porcentagem dos que afirmaram ter ido a uma ópera
nos últimos 12 meses (2,2%).
Outra hipótese que se confirmou foi o peso da variável
nível de escolaridade como fundamental para a grande maioria
das práticas pesquisadas, sejam elas as mais comuns ou
as mais raras. Assim, níveis baixos de escolaridade se
associaram a um porcentual muito pequeno de práticas culturais,
com exceção da televisão, sendo a recíproca
verdadeira.
No entanto, o fato possuir um alto nível de escolaridade
formal não garantiu que o entrevistado fosse um grande
praticante, visto que alguns dados específicos desse grupo
surpreenderam, principalmente se tomarmos como ponto de comparação
pesquisas internacionais: dentre aqueles que atingiram o nível
superior (completo ou incompleto), 14,2% nunca foram a um teatro
especialmente para ver uma peça e 14,4% nunca foram a um
museu.
Outras análises quantitativas serão realizadas com
os dados obtidos nessa primeira fase. Com relação
à segunda fase da pesquisa, a ser realizada com uma sub-amostra
da primeira, o objetivo é um refinamento qualitativo das
práticas culturais e do uso do tempo livre anteriormente
levantados, como, por exemplo, os gêneros preferidos e o
aprofundamento das práticas de sociabilidade.
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